Recuperação de manguezais com plantio de espécies nativas em SC busca frear mudanças climáticas

  • 09/05/2024
(Foto: Reprodução)
Iniciativa tem um ano e envolve corte de plantas exóticas e plantio daquelas que são nativas da Mata Atlântica. Conforme projeto, manguezais possuem importância estratégica no combate a mudanças climáticas. Imagens mostram projeto de recuperação de manguezais na Grande Florianópolis Um projeto quer recuperar áreas de mangue na Grande Florianópolis através do plantio de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. O Raízes da Cooperação completou um ano e diz que os manguezais possuem importância estratégica no combate às mudanças climáticas. Conforme o projeto, se comparados aos manguezais em zonas tropicais, os localizados no Sul da Brasil alocam mais energia nas estruturas subterrâneas do que nas estruturas aéreas, ou seja, proporcionalmente tendem a estocar mais carbono nos solos. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O coordenador do projeto, Dilton de Castro, contou que tudo começou quando várias organizações se uniram para participar de um edital, e foram vencedoras. "Foi uma conversa entre várias entidades que atuam na Grande Florianópolis com foco no manguezal, preservação e conservação em Santa Catarina", diz. Projeto quer plantar mudas nativas em áreas de manguezais Gisele Elis/Divulgação Nesse primeiro ano, foram cortados e manejados 7,7 hectares de pinus, espécie exótica, de duas ilhas de Palhoça. A área equivale a mais de sete campos de futebol. Nesse local, serão plantadas no lugar as espécies nativas da Mata Atlântica. O objetivo é restaurar as áreas de restinga e manguezais desse território. “Muitas cidades cresceram aterrando os manguezais. Esses eventos que estão ocorrendo no Rio Grande do Sul, por exemplo, que aconteceram em São Paulo, pouco tempo antes em Parati, no Rio de Janeiro, estão mostrando cada vez mais a importância de a gente ter que se adaptar, como a gente vai fazer para minimizar impactos", diz Castro. Pinus derrubados em ilha de Palhoça Gisele Elis/Divulgação Ao todo, serão plantadas 3 mil mudas de espécies de mangues e de restinga nessas ilhas e também no entorno do Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, totalizando uma área de 10 hectares. “Além de proteger o ambiente costeiro contra a erosão marinha, pelo avanço do nível do mar, eles [manguezais] amenizam essa flutuação da entrada e saída das águas. Eles têm essa capacidade de absorver um excedente de água. Se porventura chover demais nas encostas, [águas] vão descer e vão encontrar essas áreas que são naturalmente úmidas. Elas amenizam os efeitos de uma grande cheia, de uma inundação”, declara o coordenador. A área de abrangência do projeto engloba os municípios de Florianópolis, São José e Palhoça, inseridos em três unidades de conservação: o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e as federais Reserva Extrativista do Pirajubaé e Estação Ecológica Carijós, além da Terra Indígena Morro dos Cavalos. Essas áreas protegidas abrigam comunidades tradicionais Mbya Guarani e de pescadores artesanais. As principais ameaças a esses ambientes vêm da urbanização, de espécies exóticas invasoras, de incêndios, do aumento do nível do mar e do esgoto irregular. “Já envolvemos cerca da metade das 2 mil pessoas previstas ao longo deste um ano de atuação do projeto, através de oficinas, dias de campo, seminários e cursos. As áreas em que foram cortados os pinus, em breve estarão repletas de biodiversidade nativa”, afirmou o coordenador. Outras ações Além do plantio de mudas nativas, o projeto também trata de educação ambiental, no espaço escolar e nas comunidades do entorno das unidades de conservação. Uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) envolve duas pesquisas. A primeira é de mestrado, que analisa o potencial de estoque e sequestro de carbono em manguezais que cresceram em áreas aterradas da Grande Florianópolis, comparando com os mesmos ecossistemas de áreas naturais. O objetivo do estudo é saber se esses manguezais acrescidos têm a mesma capacidade dos naturais em estocar carbono. A segunda pesquisa é de pós-doutorado e que resultará na elaboração de cenários para áreas sujeitas à inundação costeira na Grande Florianópolis, baseado nas perspectivas das mudanças climáticas. O objetivo é elaborar cenários, através de mapas, de elevação do nível do mar e cruzar esse mapeamento com os planos de ocupação territorial. Os resultados das pesquisas serão divulgados como artigos científicos e através de um livro, que deve sair ainda este ano. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2024/05/09/recuperacao-de-manguezais-com-plantio-de-especies-nativas-em-sc-busca-frear-mudancas-climaticas.ghtml


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