PF recolhe provas na casa de vice-cacique assassinado em terra indígena de SC

  • 13/05/2024
(Foto: Reprodução)
Polícia Federal informou que foram encontrados vestígios que serão analisados por peritos. Celulares e roupas que podem ter sido usados pelos autores do crime foram apreendidos. PF investiga morte de indígena em SC Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos na zona rural de Doutor Pedrinho, município de 3,6 mil habitantes no Vale do Itajaí, em investigação que apura o assassinato do líder indígena Xokleng Ariel Paliano, de 26 anos, divulgou a Polícia Federal nesta segunda-feira (13). O corpo foi encontrado às margens da estrada entre Itaiópolis, no Norte do estado, e José Boiteux, no Vale do Itajaí, em 26 de abril. Vice-cacique da comunidade, o jovem tinha ferimentos na cabeça e o corpo parcialmente queimado (relembre abaixo). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Durante as buscas, na noite de sexta-feira (10), a equipe usou luminol, um reagente químico que emite luz azul-fluorescente ao entrar em contato com o ferro presente no sangue. Conforme a PF, foram encontrados vestígios que serão analisados por peritos. Os policiais federais estiveram na casa da vítima, que era habitada por mais uma pessoa, e em uma residência próxima ao local onde o corpo foi encontrado. Foram apreendidos celulares e roupas que podem ter sido usados pelos autores do crime. Testemunhas também foram ouvidas na ocasião. A investigação ainda busca os participantes do homicídio. Após a identificação, a motivação será estudada, informou a Polícia Federal. Em 29 de abril, a PF disse ao g1 que investigaria se o caso tem relação com conflito indígena. Leia também: Indígena assassinado em SC vivia em região em conflito de demarcação atacada por tiros 2 vezes PF investiga dois ataques a tiros contra indígenas em território Xokleng de SC Conforme a PF, foram encontrados vestígios do assassinato do líder indígena que serão analisados por peritos PF/ Divulgação Ocorrência Conforme o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o corpo de Paliano foi encontrado a cerca de 300 metros da casa em que vivia com mãe e padrasto, que é o líder Xokleng da Aldeia Kakupli. A região onde o jovem morava está em conflito pela demarcação da terra indígena, de acordo com o Cimi (veja nota completa no final da matéria). Em março e abril deste ano, a área já havia sido alvo de ataques a tiros. Hariel Palhano foi encontrado morto Redes Sociais/Divulgação Conforme a Articulação dos povos indígenas do Brasil (Apib), à época do crime, a vítima estava sozinha no local já que os outros moradores da casa estavam em Brasília, participando de atos pelos povos indígenas. "A trágica morte de Ariel destaca a urgência de abordar as questões de demarcação, segurança e direitos das comunidades indígenas, não só em Santa Catarina, mas em todo o país. Este evento é mais um lembrete sombrio das ameaças persistentes enfrentadas pelos povos indígena", informou a entidade. De acordo com relatos da comunidade, Paliano teria sido vítima de uma emboscada, quando saiu de casa para comprar alimentos numa mercearia. O barraco onde a vítima morava com a família foi incendiado. O que disse o Cimi O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) manifesta profunda indignação e tristeza pelo cruel assassinato de Hariel Paliano, de 26 anos, ocorrido na aldeia Kakupli, interior da Terra Indígena (TI) Ibirama La Klãnô, do povo Xokleng, em Santa Catarina. Além dos Xokleng, vivem também no território indígenas dos povos Guarani e Kaingang, ao qual pertencia Hariel. A notícia do assassinato de Hariel apanhou de surpresa e levou muita dor à delegação Xokleng, Kaingang e Guarani que ainda está na estrada, regressando de Brasília, onde os indígenas participaram, durante a semana, do Acampamento Terra Livre (ATL). Enquanto os povos indígenas estão na capital federal mobilizados de forma democrática e legítima em defesa de seus direitos, recebendo da parte do Estado morosidade e palavras traiçoeiras, nos territórios tradicionais a violência é rápida, ideológica e letal. Hariel foi encontrado sem vida, com marcas de espancamento e com o corpo queimado, às margens da rodovia que liga os municípios catarinenses de Doutor Pedrinho e Itaiópolis, a cerca de 300 metros da casa em que vivia com sua mãe e padrasto, o líder Xokleng da Aldeia Kakupli. Trata-se de uma região de conflito pela demarcação da terra indígena. Nos últimos meses, a aprovação e promulgação da Lei 14701/2023, que torna vigente o marco temporal, e a decisão tomada pelo ministro Gilmar Mendes no dia 22 de abril, que manteve a vigência da Lei 14701/2023, foram entendidas como uma vitória dos setores que se contrapõem à demarcação da TI Ibirama La Klãnô, repercutindo no endurecimento do ambiente de tensão que se vive na região. r isso, o Cimi continua alertando às autoridades sobre as consequências desastrosas advindas da aprovação e vigência da Lei 14701/2023 e a necessidade de criar um ambiente de paz e tranquilidade na região. O Cimi se solidariza com os familiares de Hariel Paliano e aos membros dos povos Xokleng, Kaingang e Guarani. E, nesse momento de profunda dor e de inseguranças administrativas e jurídicas, o Cimi repudia de forma veemente esse crime hediondo e exige a sua imediata apuração, identificando e punindo os responsáveis. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2024/05/13/pf-recolhe-provas-vice-cacique-assassinado-em-terra-indigena-de-sc.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes